MÓDULO
2
A INTERNET NO ENSINO DAS LÍNGUAS
2.2 Utilização da Web
para a aprendizagem de línguas.
3.1 Correio electrónico
para professores e alunos de línguas
3.1.1 Comunicações e a
Internet
3.1.2 Salas de Chat, MUDs e MOOs
3.1.3 Um exemplo prático
de aplicação do correio electrónico em sala de aula
3.1.4 Explorando o
correio electrónico como meio de comunicação
3.1.6 Correio electrónico
– sempre disponível para leitura
3.1.7 Gestão das actividades
baseadas no correio electrónico.
3.1.8 Trabalhar com
escolas parceiras
3.1.10 Correio
electrónico no currículo para elevar os níveis de desempenho
3.2 Listas de discussão
electrónicas
Bibliografia e outras
referências
A internet constitui hoje em dia
o instrumento privilegiado de divulgação de conhecimento. Através dela podemos
aceder a obras literárias, peças musicais, filmes, fotografias ou quadros.
Podemos consultar arquivos e bibliotecas, e visualizar documentos aí guardados.
Podemos comprar aquele CD ou DVD que não existe em parte alguma da nossa
cidade, e por um preço irrisório aquele livro raro publicado no tempo dos
nossos bisavós. Podemos escrever directamente para autores de livros ou artigos
científicos, colocar questões a especialistas, e receber deles sugestões de
leitura ou hiperligações para sites de interesse. Podemos recolher materiais
para utilização nas aulas e pôr os alunos a comunicarem com falantes nativos
das linguas que estão a aprender. Podemos enviar e divulgar materiais por nós
criados, e supervisionar o trabalho dos alunos. Mas também podemos apanhar
vírus ou worms e infectar inadvertidamente o computador lá de casa e deitar a
perder horas, dias ou anos de trabalho. A internet é um mundo mas não é o
mundo, e trabalhar com ela, embora possa ser uma experiência compensadora e
inovadora, não nos deverá fazer desviar do nosso objectivo primeiro, que é pôr
os nossos alunos em contacto com o mundo real, a interagir com ele e a actuar
nele como cidadãos responsáveis e solidários.
Teresa Almeida d’Eça no seu
livro NETAprendizagem (1998) começa
por explicar o que é a Internet, salientando o seu carácter globalizante como
meio de comunicação e de acesso à informação:
‘A network of networks’ ou
‘the mother of all networks’ são duas expressões comuns quando se fala da
Internet. De facto, a Internet representa uma megarrede à escala mundial, que
interliga inúmeras redes de computadores e sistemas informáticos pertencentes a
instituições governamentais, educativas e militares, a organizações comerciais,
a empresas e a particulares espalhadas pelo mundo inteiro, possibilitando a
comunicação directa entre todos.
d’Eça, 1998:22
Ao nível da educação, a
Internet surge como um meio único de comunicação e de acesso à informação e ao
conhecimento. No âmbito específico do ensino das línguas, a possibilidade de
aceder a um número infindável de recursos autênticos sobre as línguas e as
culturas constitui um potencial que os professores não podem ignorar. Este módulo procura explorar esta vertente. Assim,
divide‑se o mesmo em duas grandes secções, a saber: Materiais na Web e
Comunicação via Internet. Na primeira secção explicitamos os diversos tipos de
materiais relevantes para o ensino das línguas que se podem encontrar na Web.
Apresentamos sugestões para os avaliar e os integrar na práctica lectiva dos
professores. A secção seguinte trata dos vários recursos de que nos podemos
socorrer para comunicar através da internet, como sejam os casos do correio
electrónico, listas de discussão, MOOs e MUDs, e outros processos de
aprendizagem à distância.
Há hoje em dia óptimas listagens de hiperligações de
toda uma série de fontes. A curta lista que se segue constitui um bom ponto de
partida, seja qual for a língua com que trabalhe. Se adicionar esta página aos
‘Favoritos’ do Internet Explorer poderá voltar a ela sempre que quiser. Se não
souber como se faz consulte novamente o ponto 3.3 (Utilizar o seu Browser) do
módulo 1. Os utilizadores mais experientes poderão optar por criar o seu
próprio conjunto de hiperligações acompanhadas de notas, também conhecido como
webliografia, portal ou jump station. Veja a tarefa 2 do site http://www.camsoftpartners.co.uk/lspinset.htm, onde é explicado como fazer passo a passo.
A Internet não está sujeita a qualquer tipo de
regulação e isto quer dizer que, enquanto podemos encontrar grandes quantidades
de bons materiais, também há material de qualidade duvidosa, quando não mesmo
má.Antes de utilizar os materiais com os alunos, dever‑se‑ão
verificar alguns dados relativos à origem e aos conteúdos do site. Por exemplo:
As seguintes hiperligações ajudá‑lo‑ão a
avaliar os materiais:
Na Universidade de Strathclyde adoptou‑se a
seguinte metodologia:
Utilize um motor de busca para localizar uma página web
útil como material de apoio ou recurso para actividades na sala de aula, quer
para professores, quer para alunos, dentro da sua área de ensino.
O endereço deverá estar claramente indicado. Também
se deverá referir como o site foi encontrado, assim como a área curricular e o
grupo etário a que o material se destina.
Deverá explicitar por que motivo considera este
recurso relevante em termos educativos. Refira os seus critérios de avaliação:
·
Fiabilidade da
fonte
·
Facilidade de
acesso
·
Relevância para
o plano curricular
·
Facilidade de
utilização
Para além destes critérios será importante ter em
atenção os seguintes aspectos: a adequação do nível de língua; a eventual
necessidade de apoio aos alunos na utilização deste recurso; definição do modo
de integração deste recurso no ensino da disciplina em questão.
A Web pode ser usada de diferentes formas no ensino
das línguas:
Há vantagens e desvantagens na utilização da web mas
Clare Bradin, no seu artigo "The Dark Side of the Web" (Bradin 1997),
destaca alguns pontos positivos:
Todavia, há que planificar sempre a aula baseada
neste tipo de recurso.
Antes de utilizar a Internet na sala de aula:
Há numerosas formas de explorar materiais de ensino
de língua na web. Consulte
Felix (2001), Felix (2003), Gitsaki & Taylor (1999b and 2000),
Windeatt et al. (2000).
Poderá ainda considerar outras hipóteses:
Estas actividades a que aludimos são conhecidas por WebQuests.
Consulte:
A secção 2 do módulo 3 é dedicada às webquests.
Veja igualmente:
Ao fazer o download ou cópia de materiais existents
noutro website, é importante prestar atenção aos direitos de autor. Não parta
do princípio de que se pode fazer o que se quiser com esse material
simplesmente pelo facto de estar acessível ao público na web. O plágio é um problema crescente.
http://vtc.ngfl.gov.uk/docserver.php?docid=3473. Neste documento, alojado no
site da VTC, vamos encontrar hiperligações para uma ampla selecção de sites de
utilidade para professores de línguas modernas.
Seleccione um dos sites para professores de línguas sugeridos na Secção 2
e comente a sua adequação à disciplina e ao grupo etário com que trabalha.
Escreva cerca de 500 palavras.
O correio electrónico é o meio de comunicação via
Internet mais duradouro. Basicamente trata-se de um meio de comunicação escrita
que permite que qualquer pessoa com acesso à Internet possa enviar e receber
mensagens a uma ou mais pessoas com o mesmo acesso. A vantagem de se tratar de
um meio assíncrono reside no facto de as pessoas não terem de estar
permanentemente presentes para poderem comunicar entre si. O correio
electrónico tem sido muito utilizado pela comunidade académica desde o início
dos anos oitenta do século XX e tem levado à criação de listas de discussão assíncrona.
3.1.1.2 Videoconferência – um
meio de comunicação síncrona
Tal como já foi referido, a Internet oferece
conteúdos por via da
World
Wide Web. Também serve de base a uma série de diferentes meios de
comunicação que tem vindo a expandir‑se em termos do seu leque de facilidades
e estabilidade. As comunicações multimedia síncronas implicam o uso de pacotes
como o CU-SeeMe, da
White Pine Software, o NetMeeting e o Marratech da
Microsoft. Estes pacotes permitem que as pessoas comuniquem em tempo
real, ou seja, elas terão de estar presentes, em vários locais (como é óbvio),
mas
Sobre o projecto ReLaTe em videoconferência ver Buckett &
Stringer (2001).
Para ver um exemplo de um site que oferece cursos de
línguas através do NetMeeting na Internet consulte o site NetLearn
Languages: http://www.nll.co.uk
Veja igualmente:
Robert O' Dowd criou dois sites cheios de informação
sobre videoconferência e telecolaboração:
Veja igualmente a Secção 3.1.2: Chat rooms, MUDs e
MOOs, e ainda iVisit (http://www.ivisit.com)- um site de ‘chat’ que usa o áudio e a videoconferência.
3.1.1.3 Anexos por correio
electrónico
Não só é possível trocar mensagens por correio
electrónico, mas também enviar ficheiros em anexo (file attachments)
contendo textos, gráficos, clips de áudio ou vídeo ou combinação de
ambos. Há que ter em conta que, provavelmente, os ficheiros de gráficos, de áudio
e de vídeo são bastante pesados em termos de memória e por isso a sua recepção e
envio pode ser demasiado lenta. Os anexos também podem estar sujeitos a
vírus. Tenha o cuidado de não abrir um anexo que tenha recebido de remetente
desconhecido ou contendo um nome estranho, dado que é possível tratar‑se
de vírus (ver: Módulo 1 – secção 2.6.4). Quando se envia um ficheiro em anexo,
mandam as regras de cortesia fazer acompanhá‑lo de uma mensagem de texto
simples, a fim de que o destinatário possa constatar de que se trata de um
ficheiro ‘limpo’.
No site da Wimba encontramos normalmente um conjunto de produtos bastante interessantes para o correio electrónico. A Wimba especializou‑se em tecnologia de voz assíncrona que nos permite, por exemplo, acrescentarmos mensagens de voz ao correio electrónico e ainda som a páginas na web. Para além disso, a Wimba também produz uma variedade de aplicações para a aprendizagem de línguas online. Visite o site em http://www.wimba.com, e veja algumas demonstrações aí disponíveis.
É importante seguir um código de conduta quando
tencionamos comunicar por correio electrónico. A esse código deu‑se o
nome de netiqueta. Eis algumas das regras:
Descubra mais
“emoticons” em:
http://www.askoxford.com/betterwriting/emoticons
http://www.askoxford.com/betterwriting/emoticons
Há várias publicações úteis relativas à Netiqueta, por exemplo:
Consulte também Sherwood (1998): Um guia de introdução ao correio electrónico:
http://webfoot.com/advice/email.top.html
Em termos do seu desenvolvimento profissional, que
tipo de vantagens retira de uma lista de discussão como o Lingu@NET Forum (http://www.mailbase.org.uk/lists/linguanet-forum),
que não existia antes do advento das comunicações online?
Salas de Chat são espaços virtuais de comunicação síncrona, tendo principalmente por
base o texto, e que oferecem ambientes online que podem ser visitados ou onde
as pessoas se podem encontrar. Digita o seu texto online e é imediatamente
visualizado por outros, os quais poderão responder em tempo real. As salas de Chat implicam estar ligado à internet
por longos períodos de tempo, o que, quando usadas em contexto de aprendizagem
de línguas, pode submeter os alunos a alguma pressão dado terem de ler e
responder de forma relativamente rápida. Aconselha‑se precaução ao entrar
numa sala de Chat. Algumas dessas
salas têm sido utilizadas para fins pouco lícitos (veja http://www.chatdanger.com,
ou ainda ThinkUKnow, o qual contém conselhos para alunos: http://www.thinkuknow.co.uk
A sigla MUD significa Multi User Domain (Domínio de Multi‑utilizador).
Um MUD é um tipo de teleconferência em tempo real pela internet em que não só
se usa correio electrónico mas onde também se podem manipular objectos num
mundo imaginário. Os MUDs foram originalmente concebidos como jogos de
aventuras incluindo role-play para serem acedidos através de redes de
computadores, mas acabaram também por evoluir para um meio que vem facilitar a
colaboração e o trabalho em educação, incluindo a aprendizagem de línguas.
A sigla MOO resulta
de Multi-User-Domain Object Oriented
(Domínio de Multi‑utilizador Orientado para um Objecto) e é uma versão
modificada do anterior MUD. Um MOO é uma base de dados orientada para
um objecto instalada num servidor remoto. Utilizadores de todo o mundo podem
ligar‑se a um MOO para
comunicar com outros utilizadores ou jogadores de MOO, seja em tempo real, seja
de forma assíncrona, e podem construir as suas próprias paisagens e e os seus
próprios objectos dentro desse domínio. Exemplos de MOOs incluem o Anarchy
Online (http://www.anarchy-online.com)
e o Active Worlds (http://www.activeworlds.com).
Os MOOs estão a começar a ganhar importância na aprendizagem de línguas: a este
propósito consulte Donaldson
& Kötter (1999), Shield (2003) e
ainda Svensson
(2003). Veja também o website do projecto WELL: http://www.well.ac.uk/wellclas/moo/moo.htm
Uma utilização bastante popular do correio
electrónico na sala de aula envolve grupos de jovens alunos enviando mensagens
a outros grupos de alunos que vivem noutra área geográfica e onde se fala outra
língua, e a quem é pedido que façam uma estimativa do preço de um cabaz de
compras virtual. Esta actividade dá-lhes oportunidade de praticarem os comparativos após
prévia preparação no domínio do vocabulário e das estruturas sintácticas para a
formulação de perguntas adequadas à tarefa proposta. Caso eles tenham já
estabelecido as ligações necessárias e solicitem uma resposta imediata, é
possível que a recebam num prazo de 24 hora. Se as escolas não possuírem
quaisquer ligações mas quiserem obter informação específica desta forma, em
termos ad hoc, poderão então encontrar endereços de correio electrónico de
outras escolas de contacto nos websites abaixo listados. No caso da actividade
do cabaz de compras, seria adequado escolher escolas em países onde os níveis de
vida sejam diferentes.
Estudos de Caso:
3.1.3.1 Tópico de discussão
Pode imaginar uma actividade em pequena escala como esta
a ser posta em prática numa das suas turmas? Que tipo de resultados de
aprendizagem espera obter? Terão valido o tempo dispendido na sua preparação?
3.1.4.1 Fique a conhecer o
seu programa de correio electrónico
A fim de dar uso ao correio electrónico, necessitará
de uma ligação à Internet e um programa de correio electrónico. Se estiver a
ler este módulo, é provável que já tenha resolvida a
questão da ligação à Internet. É também provável que já disponha de um programa
de correio electrónico, como o Microsoft Outlook Express, que já vem
incluído no Windows. Há outros programas gratuitos tais como o Eudora, o qual pode ser descarregado a
partir do site: http://www.eudora.com.
Se considerar a possibilidade de utilização do
correio electrónico como ferramenta de ensino e de aprendizagem, verá que não
perde nada em ficar a conhecer por dentro todo o tipo de soluções que estes
programas apresentam, assim como em avaliá-lo numa óptica de utilização na sala
de aula.
3.1.4.2 Características do
correio electrónico como meio de comunicação
As três mais importantes características do correio
electrónico para o professor de línguas são:
3.1.4.3 Destinatário único
ou destinatários múltiplos
Se já for um utilizador de correio electrónico,
saberá certamente que é tão fácil enviar uma mensagem para uma como para cinquenta
pessoas. Como depreenderá do exemplo acima, esta possibilidade faz com que não
seja necessário estabelecer e manter uma relação com uma única escola, o que
poderá ser difícil, seja através apenas do correio electrónico, seja através de
uma combinação de meios de comunicação tradicionais e electrónicos. Isso também
significa que com o acesso a escolas de todo o mundo é possível visitar
diferentes países consoante o tema
Uma das dificuldades de se manterem as ligações
tradicionais entre escolas reside na necessidade de os alunos copiarem cartas
para enviarem, as quais resultarão de rascunhos produzidos antes de serem
passados a limpo. O texto gerado num processador de texto ou num programa de
correio electrónico é provisório até que o botão Enviar seja premido. Isto traz
uma série de vantagens ao aluno de língua.
Em primeiro lugar, é motivante porque o receio de se
escreverem erros desaparece. Além disso, os erros tornam-se elementos que
podem ser utilizados no próprio processo de aprendizagem, dado que podem ser
debatidos na aula até se alcançar uma versão correcta.
Em segundo lugar, abre todo um conjunto de
possibilidades de trabalho de grupo onde, por exemplo um pequeno grupo faz o rascunho
de uma mensagem a ser enviada ao grupo destinatário e que se pode basear numa
sessão de brainstorming acerca do que
incluir. O rascunho circulará então por toda a turma na aula seguinte e poderão
ser tecidos comentários acerca do conteúdo e da correcção da língua usada. Um
segundo grupo tomará nota das alterações propostas e fará a edição do texto
Finalmente, as mensagens recebidas poderão ser
importadas para um ficheiro de processador de texto ou ainda para um programa
de edição de texto como o Fun with Texts ou o Authoring Suite, e subsequentemente exploradas em
termos do seu conteúdo linguístico. Por exemplo, um ficheiro recebido acerca de
uma visita de estudo daria a oportunidade de se fazer uma actividade de
conclusão da unidade baseada nos pretéritos, no preenchimento de espaços em
branco, na sequenciação com base em indicadores temporais ou ainda na
reconstrução do texto, tudo isto dentro de vários níveis de dificuldade.
Pense numa actividade baseada no correio electrónico com
conteúdo simultaneamente temático e gramatical que poderia usar numa das suas
aulas. Até que ponto melhorariam as capacidades de leitura e de escrita dos
seus alunos? De que modo o correio electrónico afecta o modo como os alunos
escrevem numa língua estrangeira? Veja, por exemplo Biesenbach-Lucas S.
& Weasenforth D. (2001). Como é que integraria esta actividade de correio
electrónico noutras levadas a cabo no mesmo período a fim de praticar as
capacidades de produção oral?
Tal como indicado no ponto 3.1.1.1, o correio
electrónico é um meio de comunicação assíncrona, e as mensagens podem ser lidas
e respondidas em qualquer altura pelo utilizador. De um ponto de vista
curricular, isto pode ser vantajoso. O texto recebido não tem de ser
imediatamente lido no monitor. Pode ser guardado, impresso numa ou em várias
cópias, analisado e trabalhado para se chegar ao seu sentido. Se o conteúdo for
uma resposta a um pedido de informação de um grupo de estudantes, é provável
que contenha coisas que lhes interessem dentro do registo de colegas da sua
própria geração. Ficará surpreendido pela sua disponibilidade para lidar com níveis
de língua difíceis a partir do momento em que realmente queiram saber o que
aquilo significa!
Você poderá sentir‑se desencorajado a utilizar
o correio electrónico com os seus alunos por variados motivos, incluindo:
3.1.7.1
Falta de ligação à Internet na sala de aula
Será um felizardo se dispuser na sua sala de aula de
um ou mais computadores com ligação à internet. Nesse caso, os seus alunos
poderão receber e enviar mensagens, conquanto seja acordado que será essa
apenas a utilização a ser dada à ligação.
Mesmo que tenha apenas um computador sem ligação, o
mesmo poderá ser usado em actividades envolvendo o correio electrónico. O seus
alunos poderão preparar mensagens, por muito pequenas que sejam, num
processador de texto e guardá‑las num disco amovível. Depois, esse disco
poderá ser inserido num outro computador com ligação à Internet e com a
funcionalidade de correio electrónico, de acordo com os seguintes
procedimentos:
As mensagens recebidas podem ser guardadas num disco
amovível ou guardadas na rede para impressão, ou ainda recicladas num
processador de texto qualquer outro programa que permita a manipulação do texto
como sejam Fun with Texts e Authoring Suite. Questões relativas à
reciclagem de mensagens do correio electrónico serão retomadas mais adiante
neste módulo.
Quando muito poucas escolas estavam na internet e
ainda menos possuíam endereço de correio electrónico, era muito difícil
encontrar alguém com quem trocar mensagens. Tudo isso mudou e muitas escolas
estão hoje activamente empenhadas na busca de outras congéneres.
Para aquelas escolas que já possuem instituições
parceiras de longa data, o correio electrónico está a ser usado quer para fins
curriculares, quer para a gestão de visitas de intercâmbio. Quem quer que tenha
preparado uma tal visita já terá certamente experimentado a frustração de não
conseguir fazer coincidir a sua disponibilidade com a do colega com quem se
quer entrar em contacto telefonicamente. Com o correio electrónico, ambos os
colegas poderão ler as mensagens e responder quando lhes for mais conveniente.
A maioria das pessoas julga que o seu correspondente lhes responderá
rapidamente às mensagens por causa da rapidez do meio de comunicação. Se você
não for um utilizador frequente do correio electrónico, deverá tentar ligar‑se
uma vez por dia e responder imediatamente par ir ao encontro das expectativas
da pessoa no outro lado da linha, especialmente se esta for um utilizador
frequente do correio electrónico.
Se esta for a sua primeira vez na utilização do
correio electrónico para fins curriculares, vale a pena considerar estratégias
alternativas antes de se envolver com aquilo que pode redundar num fracasso. O
modelo tradicionalmente seguido para se estabelecer uma ligação com uma escola
de intercâmbio funciona para umas escolas mas não para outras, por uma
variedade de motivos que não nos são de todo estranhos. Seria o único modelo
razoável quando as cartas tinham de ser escritas à mão e enviadas por correio
normal, a menos que os alunos estivessem dispostos a fazer grandes quantidades
de cópias. Quando tal resulta, alunos e professores poderão retirar daí grandes
vantagens Quando já existe uma tal ligação, os benefícios acrescentados da
utilização do correio electrónico no âmbito do currículo e da gestão de
intercâmbios deverão ser devidamente explorados. O facto de os professores em
cada uma das escolas já se conhecerem e já terem um conhecimento partilhado dos
esquemas de trabalho seguidos e dos níveis de desempenho dos dois grupos de
alunos facilitará o recurso ao meio e potenciará a melhoria dos padrões.
Se você não tiver qualquer ligação, mas gostaria de
estar em contacto com escolas em países onde a língua alvo é falada, é possível
ir à procura de uma ligação que tencione manter a partir de um dos sites
listados nos endereços já referidos na Secção 3.1.3.
Também é possível, tal como já sugerimos, estabelecer
ligações ad hoc para fins específicos, que pode implicar um questionário
enviado a um conjunto de escolas a fim de recolher dados para compilaçãp de uma
base de dados acerca dos hábitos de lazer dos alunos na faixa etária entre os
14 e os 16 anos na Europa, na expectativa de que nem todas as escolas irão
responder. Outra possibilidade seria a de um grupo de escolas que concordassem em
trabalhar em conjunto ao longo de um determinado período de tempo, evolvendo-se,
por exemplo, num projecto a ser desenvolvido ao longo de um período escolar completo.
É preferível:
i. por via do correio electrónico estabelecer uma forte
ligação com uma única escola cuja língua materna seja a nossa língua alvo, ou
ii. estabelecer ligações ad hoc com outras
escolas que partilhem a mesma língua alvo, ou
iii. estabelecer ligações ad hoc com outras escolas
cujos alunos sejam todos falantes nativos da nossa língua alvo?
Um processo mais complexo de utilização do correio
electrónico que poderemos ainda considerar é aquilo a que damos o nome de
aprendizagem
A Universidade de Bochum tem um website onde é
disponibilizada mais informação sobre aprendizagem em tandem e ainda os modos
pelos quais podemos identificar os parceiros.
http://www.slf.ruhr-uni-bochum.de/Tandem
Outras leituras:
Little (2001)
Little & Brammerts
(1996)
Little & Ushioda
(1998)
Little, Ushioda,
Appel, Moran, O'Rourke & Schwienhorst
(1999)
Woodin (1997)
Woodin J. & Ojanguren
A. (1996)
Ver também Stevens V. (2000).
Não é de todo necessário recordar que os professores
de línguas têm uma tarefa extremamente difícil a desempenhar diariamente. Ao
contrário do que sucede com os seus colegas de disciplinas como História, é‑lhes
exigido não só que veiculem conhecimentos acerca da cultura alvo, como também
que permitam que os alunos adquiram conhecimentos acerca da estrutura da
língua, que aprendam um vocabulário diversificado e que apliquem os seus
conhecimentos linguísticos enquanto põem em prática complexas competências,
tanto múltiplas como discretas.
Para o professor de língua, a comunicação é conteúdo,
e não o meio de transmissão nem o processo de verificação do grau de sucesso
dessa transmissão. O correio electrónico, cuja essência é precisamente a
comunicação, é, nesse sentido, uma importante ferramenta de trabalho.
E como em qualquer ferramenta, o uso do correio
electrónico só resultará em melhores níveis de desempenho se for utilizado de
forma planeada e integrada. Por si só dá aos alunos a oportunidade de
comunicarem de um modo que eles próprios consideram ser bastante actual, o que
faz com que o correio electrónico seja para eles algo de importante e
interessante. Uma vez que se trata de um meio assíncrono, a sua contribuição
pode ser alvo de reflexão mais cuidada. Serão capazes de enviar mensagens em
que a qualidade linguística seja aceitável, se não mesmo perfeita. Poderão
receber respostas rapidamente, as quais poderão ainda manipular de várias
formas, a fim de melhorar o seu próprio desempenho linguístico com base em
modelos fornecidos pelos seus pares. A solução reside em identificar pontos no
programa de ensino onde você necessite de informação de uma ou mais escolas na
língua alvo, ou onde seja provável que os seus alunos criem ‘produtos’ que você
gostaria que partilhassem com outros, ou ainda onde a informação que chega ou
que parte desempenhe um papel preponderante.
Após identificado o ponto vital no programa e pensada
a actividade mais adequada na qual o correio electrónico seja um dos
componentes, desenvolva o seu trabalho dentro das seguintes linhas:
Sugira uma actividade utilizando o correio
electrónico com os alunos no âmbito da disciplina que lecciona. Escreva um
texto com cerca de 500 palavras.
As listas de discussão electrónicas são basicamente
formas de partilhar o correio electrónico com membros de um grupo de pessoas
que possuem um interesse comum. Muitas listas de discussão no Reino Unido são
geridas pela JISCMail (http://www.jiscmail.ac.uk).
Aqui estão três listas de discussão que lhe poderão interessar, e onde poderá
levantar algumas questões relacionadas com este módulo:
Você poderá juntar‑se à lista de discussão do
EUROCALL e pesquisar os arquivos em:
http://www.jiscmail.ac.uk/lists/eurocall-members.html
De outro modo, poderá enviar a mensagem
join eurocall-members yourfirstname yourlastname
para
jiscmail@jiscmail.ac.uk
Poderá juntar‑se ao Fórum Lingu@NET e pesquisar
os arquivos em:
http://www.mailbase.org.uk/lists/linguanet-forum
De outro modo, poderá enviar a mensagem
join linguanet-forum yourfirstname yoursecondname
para
mailbase@mailbase.org.uk
Esta lista é muito procurada!
Discussão da Association for Language
Learning (ALLNET)
Poderá juntar‑se à lista de discussão da ALLNET
e pesquisar os arquivos em: http://www.jiscmail.ac.uk/lists/allnet.html
De outro modo, poderá enviar a mensagem
join allnet yourfirstname
yourlastname to jiscmail@jiscmail.ac.uk
Netiqueta:
Se se juntar a uma lista de discussão, leia o guia de serviço para saber qual o
estilo mais aceitável (a netiqueta).
Veja a alínea 3.1.1.4 Netiqueta.
A aprendizagem à distância de línguas é um assunto
bastante actual (veja a secção 7 do Módulo 1.4 do ICT4LT escrito
por Sue Hewer).
Há um número crescente de websites que oferecem
materiais de aprendizagem à distância, incluindo cursos completos distribuídos
por via da Internet e do correio electrónico, usando os chamados Ambientes
Virtuais de aprendizagem (Virtual
Learning Environments (VLEs)), tais como o WebCT, o Blackboard
ou o Moodle:
A aprendizagem à distância de línguas só se tornou
possível desde que a qualidade de som melhorou na Internet, mas ainda assim
alguns sites oferecem materiais de áudio com uma qualidade deficitária. Alguns
são geridos com fins lucrativos e cobram pelos serviços, enquanto que outros
foram organizados por entusiastas que estão interessados em transmitir a sua
língua e cultura. Os sites variam imenso em qualidade e será importante analisar
os materiais que tais sites oferecem antes de os passar para as mãos dos
alunos. Há, não obstante, trabalho inovador a ser desenvolvido e poderá
encontrar algumas preciosidades. Veja Felix (1998a), Felix (2001)
e ainda Felix
(2003), três obras que contêm imensa informação sobre VLEs
(Virtual Learning Environments),
sendo que nas duas últimas foram incluídos uma série de casos de estudo e
artigos sobre boas práticas.
Consulte também a lista anotada dos websites
favoritos de Graham Davies em http://www.camsoftpartners.co.uk/websites.htm.
Esta lista está constantemente a ser actualizada e aumentada. A lista inclui:
A aprendizagem de línguas através da Web ainda se
encontra a dar os primeiros passos e existem limitações aos diferentes tipos de
interacção que são bem sucedidos na Web, especialmente a interacção que envolve
actividades orais—algo que já está bastante desenvolvido em suporte de CD-ROM.
Consulte o Módulo 2.3 do
ICT4LT, Secção 3.1, relativo ao CALL (acrónimo de Computer-assisted Language
Learning [Aprendizagem de Língua Assistida por Computador]) através da Web,
e ainda o Módulo 2.2 do
mesmo site, Secção 3, relativa às possibilidades e limitações do multimedia
Já muita tinta correu sobre a aprendizagem de línguas
à distância, sobretudo em artigos baseados em comunicações em conferências como
as do EUROCALL e do CALICO, e que surgem publicados em periódicos como o ReCALL
e o CALICO Journal. Consulte:
·
http://www.eurocall-languages.org
Veja também o número especial dedicado à aprendizagem
à distância da revista Language Learning and Technology
(LLT), a qual se encontra disponível online
em: http://llt.msu.edu/vol7num3/default.html
Encontrará ainda dezenas de referências à
aprendizagem à distância na própria revista LLT.
Escolha um dos sites acima referenciados em 3.3 para
aprendizagem à distância e elabore um resumo das propostas de actividades
contidas no mesmo.
Escreva um texto de cerca de 800 palavras.
Atkinson T. (1998)
WWW: the Internet (CILT Infotech Series No.
3),
Bel E. & Ingraham B. (1997) "Understanding the potential of the
Internet for language teaching and learning". In Kohn J. et al. (eds.) New
horizons in CALL: proceedings of EUROCALL 96,
Biesenbach-Lucas S. & Weasenforth D. (2001) "Email and word-processing in
the ESL classroom: how the medium affects the message", Language
Learning and Technology 5, 1: 135-165: http://llt.msu.edu/vol5num1/weasenforth/default.html.
Bradin C. (1997) "The Dark Side of the Web",
FLEAT 97 paper: http://edvista.com/claire/darkweb/index.html
Bryant S. (2000) The story of the Internet,
Buckett J. & Stringer G. (2001)
"ReLaTe: a case study in videoconferencing for
language teaching". In Chambers A. & Davies G.D. (eds.) Information
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